O início de 2025 mostra um mercado de boi gordo em recuperação gradual, sustentado por condições climáticas favoráveis e boas pastagens, mas ainda enfrentando desafios no consumo doméstico.
O mercado físico do boi gordo começou 2025 com negociações acima da média em diversas regiões do país. Para as consultorias que acompanham o mercado pelas principais praças pecuárias do Brasil, o volume de animais ofertados está limitado pela capacidade de retenção dos pecuaristas que, após pressão de baixa do fim do ano, agora tentam obter melhores preços nas negociações.
Segundo o consultor Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, a tendência é de continuidade no movimento de alta no curto prazo. Esse cenário se deve, em parte, ao período de lentidão no final de 2024 e início de 2025, que resultou no encurtamento das escalas de abate.
Capacidade de retenção e boas pastagens favorecem pecuaristas
“O pecuarista conta com maior capacidade de retenção neste período do ano, considerando a boa condição das pastagens, o que permite negociar com mais calma”, analisa Iglesias. No entanto, ele ressalta que a demanda doméstica segue enfraquecida, o que impacta o consumo.
A Scot Consultoria aponta que em São Paulo o preço médio do boi gordo permanece estável em R$ 320/@, enquanto a vaca gorda e a novilha gorda são negociadas a R$ 292/@ e R$ 310/@, respectivamente. O chamado “boi-China” apresenta ágio de R$ 5/@, alcançando R$ 325/@.
Mesmo com algumas indústrias frigoríficas fora do mercado, as escalas de abate em São Paulo se mantêm curtas, com média de uma semana.
Balanço de dezembro: queda nas cotações
De acordo com a Agrifatto, o último mês de 2024 registrou queda nos preços do boi gordo em várias praças pecuárias. Em São Paulo, o preço médio da arroba foi de R$ 320,33, uma desvalorização mensal de 5,44%, atingindo o menor nível desde outubro de 2024.
Essa queda reflete uma demanda mais retraída, após meses de forte valorização, em um movimento de “correção de preços”.
Diferencial de base SP-MT: tendência de alargamento
Em Mato Grosso, o boi gordo foi cotado a R$ 306,65/@ em dezembro, uma queda de 2,84% no comparativo mensal. O diferencial de base entre São Paulo e Mato Grosso diminuiu para -4,3%, o melhor nível para os pecuaristas mato-grossenses desde outubro de 2021.
A expectativa da Agrifatto para janeiro de 2025 é de alargamento desse diferencial, com a melhora das pastagens no Brasil Central e uma maior oferta de bovinos dessas regiões. “O comportamento histórico reforça essa perspectiva”, concluem os analistas.
O papel do diferencial de base na gestão de risco
O diferencial de base é crucial na gestão de risco, especialmente para pecuaristas de fora de São Paulo. Ele mede a diferença de preço da arroba entre São Paulo e outras praças e ajuda a calibrar estratégias de proteção de preço (hedge) na bolsa B3. Com o mercado futuro tomando São Paulo como referência, esse indicador é fundamental para decisões assertivas.
Mercado atacadista inicia o ano com quedas
No mercado atacadista, as cotações começaram a semana em queda, reflexo da demanda reduzida típica do período pós-festas. Com a população descapitalizada, há maior procura por proteínas mais baratas, como embutidos, ovos e carne de frango. Os preços médios estão assim:
• Quarto dianteiro: R$ 17/kg
• Quarto traseiro: R$ 26,80/kg
• Ponta de agulha: R$ 18/kg
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