Novo Beef Report da ABIEC revela que a pecuária de corte brasileira alcançou resultados inéditos em 2025, consolidando o país como maior produtor e exportador mundial de carne bovina e projetando um novo ciclo de expansão para a próxima década.
A pecuária de corte brasileira atingiu um novo marco histórico. O Beef Report 2026, divulgado pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), mostra que o setor movimentou R$ 1,159 trilhão em 2025, valor equivalente a aproximadamente 9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, além de registrar recordes de produção, exportações e produtividade.
Apresentado em Brasília pelo presidente da ABIEC, Roberto Perosa, durante coletiva de imprensa, o levantamento — elaborado em parceria com a Athenagro Consultoria — reúne os principais indicadores da cadeia da carne bovina e reforça o protagonismo do Brasil no mercado global.
Produção recorde consolida liderança mundial da pecuária brasileira
Segundo o relatório, o Brasil produziu 12,35 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC) em 2025, resultado obtido com o abate de 47,79 milhões de bovinos.
O desempenho fez o país assumir, pela primeira vez, a posição de maior produtor mundial de carne bovina, respondendo por 16,1% de toda a produção global.
O rebanho comercial brasileiro foi estimado em 195,5 milhões de cabeças, permanecendo como o maior do mundo.
Exportações atingem novo patamar
As exportações também alcançaram resultados históricos.
Em 2025, o Brasil embarcou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina para 177 países, gerando US$ 18 bilhões em receitas, um crescimento de 20,6% em volume e 40% em faturamento na comparação com 2024.
A China permaneceu como principal compradora da carne bovina brasileira, seguida por:
- Estados Unidos;
- Chile;
- União Europeia;
- Rússia.
Outro dado relevante é que 36,7% de toda a produção nacional foi destinada ao mercado externo, o maior percentual já registrado.
Mercado interno continua forte
Embora as exportações tenham avançado, o mercado doméstico segue sendo o principal destino da carne produzida no país.
O consumo interno absorveu 7,87 milhões de toneladas equivalente carcaça, correspondendo a 63,3% da produção nacional.
O consumo per capita foi estimado em 37,04 quilos equivalente carcaça por habitante ao ano.
Além disso, 63,6% dos bovinos abatidos passaram por frigoríficos sob Serviço de Inspeção Federal (SIF), responsáveis por 66,5% da carne produzida no Brasil.
Pecuária cresce produzindo mais na mesma área
Um dos principais destaques do Beef Report é a evolução da produtividade brasileira.
Entre 1990 e 2025:
- a produção de carne cresceu 146,6%;
- o rebanho aumentou 40%;
- a produtividade avançou 183%;
- a área destinada às pastagens foi reduzida em 18%.
Nesse período, aproximadamente 27,9 milhões de hectares de pastagens foram convertidos para agricultura e outras atividades produtivas.
Hoje, cerca de 64% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto as pastagens ocupam aproximadamente 19% da área nacional.
Intensificação acelera ganhos de eficiência
O levantamento mostra ainda o avanço da intensificação dos sistemas produtivos.
Em 2025:
- 23% dos bovinos abatidos vieram de sistemas de confinamento ou Terminação Intensiva a Pasto (TIP);
- cerca de 19 milhões de animais receberam dietas com elevados níveis de concentrado.
Segundo a ABIEC, esse movimento demonstra o avanço tecnológico da pecuária brasileira e sua capacidade de ampliar a produção sem necessidade de expandir significativamente a área utilizada.
Outro indicador relevante foi a participação recorde das fêmeas no abate formal, que atingiu 46,8%, refletindo estratégias de descarte técnico e maior eficiência dos rebanhos.
Descarbonização ganha protagonismo
O Beef Report também traz projeções ambientais para a atividade.
O estudo aponta que a modernização da pecuária poderá reduzir em 79,9% a intensidade das emissões de gases de efeito estufa por quilo de carne até 2050.
Caso sejam alcançados objetivos como:
- desmatamento zero;
- adoção das tecnologias previstas no Plano ABC+;
- redução da idade de abate;
- utilização de aditivos mitigadores de metano,
essa redução poderá chegar a 92,6%, segundo o relatório.
Produção pode crescer mais de 20% até 2035
As projeções para os próximos dez anos mostram continuidade da expansão.
Segundo o Beef Report, até 2035 o Brasil poderá atingir:
- 15,18 milhões de toneladas equivalente carcaça, crescimento de aproximadamente 23% sobre 2025;
- 7,09 milhões de toneladas exportadas, avanço de 56,5% em relação ao volume atual.
Mesmo com expectativa de acomodação da produção em 2026, a ABIEC avalia que o país reúne condições favoráveis para atender ao aumento da demanda global por proteína animal, sustentado pelos ganhos de produtividade, competitividade e abertura de novos mercados.
“O Beef Report mostra que a pecuária brasileira vive um dos momentos mais importantes da sua história. Os números comprovam que é possível produzir mais, com mais eficiência, sustentabilidade e competitividade. Essa evolução consolidou o Brasil como maior produtor e exportador mundial de carne bovina e nos coloca em uma posição privilegiada para atender à crescente demanda global por proteína de qualidade”, afirmou Roberto Perosa, presidente da ABIEC.
O Beef Report 2026 está disponível em português e inglês no site da ABIEC. Versões em espanhol e mandarim também serão disponibilizadas para ampliar o acesso às informações da pecuária brasileira nos principais mercados internacionais.
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