Berço da pecuária nacional, da genética Nelore e da tradição boiadeira, cidade reassume protagonismo econômico ao liderar o Valor da Produção Agropecuária de São Paulo em 2025
Poucas cidades brasileiras carregam uma identidade tão profundamente ligada à pecuária quanto Barretos. Muito antes de se transformar na capital da maior festa do peão da América Latina, o município já escrevia sua história como um dos grandes polos da bovinocultura nacional. Foi ali que tropeiros ajudaram a moldar a economia do interior paulista, que criadores consolidaram uma das mais importantes bases da pecuária de corte do país e que a raça Nelore encontrou terreno fértil para se tornar protagonista da produção brasileira de carne bovina.
Ao longo das últimas décadas, Barretos também se transformou em referência na realização de leilões milionários, investimentos em genética, difusão de tecnologia e profissionalização da atividade pecuária. Agora, os números mostram que essa tradição não pertence apenas ao passado. Ela voltou a ocupar o centro do cenário econômico paulista.
Levantamento divulgado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, revela que a regional de Barretos retomou a liderança do Valor da Produção Agropecuária (VPA) paulista em 2025, alcançando R$ 10,2 bilhões em faturamento. O desempenho representa crescimento de 20,2% em relação ao ano anterior e recoloca a região na primeira posição entre as 40 regionais da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), repetindo o protagonismo já alcançado em 2022 e 2023.
As dez regionais com maior Valor da Produção Agropecuária movimentaram, juntas, R$ 73,62 bilhões em 2025, o equivalente a 42,2% de toda a riqueza gerada pelo agronegócio paulista.
Após Barretos, o ranking é formado por:
- São José do Rio Preto – R$ 9,6 bilhões;
- São João da Boa Vista – R$ 8,1 bilhões;
- Franca;
- Itapetininga;
- Presidente Prudente;
- Itapeva;
- Jaboticabal;
- Ourinhos;
- General Salgado.
Segundo o levantamento, as oscilações nos preços das principais commodities agrícolas alteraram significativamente a distribuição regional da renda no campo durante o último ano.
A conquista tem um forte simbolismo para uma região cuja economia, cultura e identidade foram construídas em torno da pecuária de corte. 
A força do boi mudou o mapa econômico paulista
O estudo mostra que o grande responsável pela mudança foi justamente o excelente momento vivido pela pecuária bovina.
Em 2025, os preços recebidos pelos produtores de carne bovina registraram valorização média de 17,9% em São Paulo, fortalecendo regiões cuja economia depende da atividade pecuária. O avanço da arroba elevou a participação da carne bovina na composição da riqueza agropecuária estadual e reposicionou importantes polos produtores.
Enquanto Barretos retomava a liderança, outras regiões tradicionalmente pecuárias também cresceram. General Salgado, por exemplo, saltou da 17ª para a 10ª colocação do ranking estadual, enquanto Ourinhos passou a integrar o grupo das dez maiores economias agropecuárias paulistas.
Em sentido contrário, polos historicamente dependentes da cana-de-açúcar e da laranja para indústria perderam posições em razão da queda de preços dessas commodities. 
Muito além da Festa do Peão
Embora seja mundialmente conhecida pela Festa do Peão de Boiadeiro, Barretos representa muito mais do que um símbolo cultural da vida no campo.
A região abriga algumas das principais fazendas de criação de gado do Brasil, importantes centrais de comercialização, leilões de elite, empresas ligadas à reprodução animal e programas de melhoramento genético que ajudaram a transformar o Nelore na raça dominante da pecuária brasileira.
Foi justamente essa combinação entre tradição e tecnologia que consolidou Barretos como um dos maiores centros da bovinocultura nacional.
Hoje, praticamente toda a cadeia produtiva está presente na região: da cria à engorda, passando por genética, nutrição animal, sanidade, frigoríficos, logística e exportação.
Números reforçam o protagonismo da carne bovina
Os dados do IEA mostram que os produtos destinados à indústria ainda representam a maior fatia do Valor da Produção Agropecuária paulista, movimentando R$ 79,8 bilhões, equivalentes a 45,8% do total estadual.
Entretanto, os produtos de origem animal aparecem logo atrás, com R$ 54 bilhões, respondendo por 31,3% do VPA.
Dentro desse grupo, a carne bovina lidera com R$ 25,3 bilhões, seguida pela carne de frango, responsável por R$ 14,6 bilhões. Juntas, essas duas cadeias representam quase 73% de toda a riqueza gerada pelos produtos animais em São Paulo.
O retorno de uma liderança histórica
O levantamento também demonstra que Barretos não apenas voltou ao topo, mas reafirmou sua capacidade de competir em um cenário agropecuário cada vez mais tecnológico e diversificado.
As dez principais regionais paulistas movimentaram R$ 73,62 bilhões, o equivalente a 42,2% de toda a riqueza agropecuária do Estado. Atrás de Barretos aparecem São José do Rio Preto, com R$ 9,6 bilhões, e São João da Boa Vista, com R$ 8,1 bilhões.
Mais do que ocupar a primeira posição em um ranking econômico, o desempenho representa a confirmação de que uma cidade historicamente reconhecida como a capital da pecuária brasileira continua exercendo papel estratégico na produção nacional de carne bovina.
Para um município que ajudou a construir a história do Nelore, impulsionou gerações de pecuaristas e consolidou uma cultura inseparável do campo, a liderança do Valor da Produção Agropecuária em 2025 simboliza mais do que um excelente resultado financeiro: representa a retomada de um protagonismo que sempre fez parte de sua identidade.
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