Eleições 2026 mantêm lideranças na Câmara, levam representantes ligados ao setor ao Senado e deixam nomes conhecidos das políticas agrícolas fora das vagas disputadas
As eleições de 2026 redesenharam a representação política ligada ao agronegócio no Congresso Nacional. O resultado do primeiro turno, realizado neste domingo (4), garantiu novos mandatos a lideranças do setor, levou deputados federais ao Senado e deixou nomes conhecidos das políticas agrícolas fora das vagas disputadas. Entre os destaques está Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), reeleito deputado federal.
Para os produtores rurais, a composição do Legislativo terá influência sobre discussões que vão do financiamento da safra à proteção contra perdas climáticas. Crédito, seguro rural, renegociação de dívidas, tributação e segurança jurídica estão entre os assuntos que dependerão da articulação dos parlamentares e da relação com o próximo governo.
O levantamento reúne nomes ligados ao agronegócio e resultados divulgados até a manhã desta segunda-feira (5). A relação é um recorte da representação política do setor e não corresponde à composição definitiva da FPA para a próxima legislatura.
Lideranças do agro garantem novos mandatos na Câmara
A reeleição de Pedro Lupion preserva no Congresso o atual presidente da FPA, uma das principais estruturas de articulação das demandas agropecuárias em Brasília. O parlamentar conquistou novo mandato pelo Republicanos, partido ao qual está filiado.
No Paraná, Sérgio Souza (MDB) também foi eleito deputado federal. Ex-presidente da FPA, ele mantém presença na Câmara e experiência nas negociações de propostas relacionadas ao setor produtivo.
Entre os nomes ligados ao agro que conquistaram vagas na Câmara estão:
| Parlamentar | Partido | Estado | Resultado |
|---|---|---|---|
| Alceu Moreira | MDB | Rio Grande do Sul | Eleito deputado federal |
| Arthur Lira | PP | Alagoas | Eleito deputado federal |
| Baleia Rossi | MDB | São Paulo | Eleito deputado federal |
| Coronel Fernanda | PL | Mato Grosso | Eleita deputada federal |
| Guilherme Piai | Republicanos | São Paulo | Eleito deputado federal |
| Maurício Buffon | PL | Tocantins | Eleito deputado federal |
| Pedro Lupion | Republicanos | Paraná | Eleito deputado federal |
| Sérgio Souza | MDB | Paraná | Eleito deputado federal |
A permanência de parlamentares com atuação nas pautas agropecuárias mantém interlocutores familiarizados com os projetos em tramitação. A entrada de novos representantes também abre espaço para mudanças nas prioridades e na distribuição das responsabilidades dentro da bancada.
Senado recebe deputados e novos representantes ligados ao setor
A disputa pelo Senado produziu algumas das mudanças mais relevantes para a representação do agro. No Espírito Santo, Evair de Melo (Republicanos) conquistou uma das duas vagas e deixará a Câmara dos Deputados para assumir o mandato de senador.
Em Minas Gerais, Domingos Sávio (PL) também foi eleito para o Senado. No Rio Grande do Sul, os deputados federais Marcel van Hattem (Novo) e Sanderson (PL) venceram a disputa pelas duas cadeiras.
Mato Grosso elegeu o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e José Medeiros (PL). Em Goiás, Gracinha Caiado (União Brasil) conquistou uma vaga, enquanto Eduardo Gomes (PL) foi reeleito pelo Tocantins.
| Senador eleito | Partido | Estado |
|---|---|---|
| Domingos Sávio | PL | Minas Gerais |
| Eduardo Gomes | PL | Tocantins |
| Evair de Melo | Republicanos | Espírito Santo |
| Gracinha Caiado | União Brasil | Goiás |
| José Medeiros | PL | Mato Grosso |
| Marcel van Hattem | Novo | Rio Grande do Sul |
| Mauro Mendes | União Brasil | Mato Grosso |
| Sanderson | PL | Rio Grande do Sul |
No Tocantins, Alexandre Guimarães, deputado federal e produtor agropecuário, conquistou a outra vaga do estado, ao lado de Eduardo Gomes.
A passagem de deputados para o Senado muda o espaço de atuação desses parlamentares. A Casa participa da análise de projetos, das decisões orçamentárias e da discussão de medidas que afetam o ambiente de investimento na agropecuária.
Fávaro, Galvan e Geller ficam fora das vagas em Mato Grosso
As urnas também impuseram derrotas a nomes conhecidos do setor. Em Mato Grosso, Carlos Fávaro (PSD) e Antônio Galvan (Avante) não conquistaram as vagas do Senado, vencidas por Mauro Mendes e José Medeiros.
Na disputa pela Câmara dos Deputados, Neri Geller (Podemos-MT) não foi eleito. Em São Paulo, Paulo Teixeira (PT), que esteve à frente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, também ficou fora das vagas.
No Pará, Zequinha Marinho (Podemos) não conseguiu a reeleição ao Senado. No Rio Grande do Sul, Daniel Trzeciak (MDB), integrante da FPA, não conquistou novo mandato de deputado federal.
Nome Partido Estado Cargo disputado Resultado Antônio Galvan Avante Mato Grosso Senador Não eleito Carlos Fávaro PSD Mato Grosso Senador Não eleito Daniel Trzeciak MDB Rio Grande do Sul Deputado federal Não eleito Neri Geller Podemos Mato Grosso Deputado federal Não eleito Paulo Teixeira PT São Paulo Deputado federal Não eleito Zequinha Marinho Podemos Pará Senador Não eleito
As derrotas alteram os canais de interlocução de diferentes segmentos do campo. A representação agropecuária reúne trajetórias e posições políticas diversas, incluindo parlamentares ligados à produção empresarial, às cooperativas e à agricultura familiar.
Parlamentares ligados à FPA chegam aos governos estaduais
A reorganização política também alcançou os estados. Marcos Rogério (PL) foi eleito governador de Rondônia, enquanto Luciano Zucco (PL) venceu a disputa pelo governo do Rio Grande do Sul. Ambos têm ligação com a Frente Parlamentar da Agropecuária.
Os resultados ampliam os espaços de atuação dessas lideranças para além do Legislativo. Os governos estaduais participam diretamente da condução de políticas de infraestrutura, defesa agropecuária, assistência técnica e gestão ambiental, com reflexos sobre a produção e o escoamento das safras.
Crédito, seguro e dívidas estarão no centro da cobrança do campo
A nova composição do Congresso encontrará um setor que cobra respostas para o custo do financiamento, o endividamento e a exposição aos eventos climáticos. Para os produtores, a representação política precisa se traduzir em medidas com orçamento, previsibilidade e aplicação prática dentro das propriedades.
Entre os temas que devem mobilizar a articulação parlamentar estão:
- Crédito rural: disponibilidade de recursos e condições de financiamento compatíveis com a atividade.
- Renegociação de dívidas: alternativas para produtores que perderam capacidade de pagamento.
- Seguro rural: ampliação da proteção e previsibilidade dos recursos destinados à subvenção.
- Segurança jurídica: clareza nas regras ambientais, fundiárias e tributárias.
- Infraestrutura: investimentos em transporte e armazenagem para reduzir custos e perdas.
A eleição de representantes próximos ao agronegócio preserva canais de negociação, mas não garante, por si só, a aprovação das demandas do setor. A capacidade de influência dependerá da composição das comissões, das lideranças partidárias, das relatorias e dos acordos com o Executivo.
A formação da bancada para 2027 será acompanhada tanto pelas entidades representativas quanto pelos produtores. O desafio dos eleitos será transformar a presença política do agro em decisões que melhorem as condições de produzir, investir e enfrentar os riscos da atividade.
Levantamento atualizado na manhã de 5 de outubro de 2026. Luiz Nishimori (PSD-PR) não foi classificado entre eleitos ou derrotados nesta relação devido a divergências nas informações consultadas sobre seu resultado.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.