O marmoreio, a maciez e o sabor fazem com que o consumidor dificilmente volte a consumir cortes inferiores. Com isso, a busca por carne premium [carne de qualidade] disparou. No entanto, a produção desses animais não acontece da noite para o dia, alerta Barcellos, especialista no assunto.
O mercado de carne premium está crescendo rapidamente, mas um alerta preocupa o setor: a produção não consegue acompanhar a demanda. Segundo o especialista em carnes nobres, Roberto Barcellos, o consumo de cortes nobres tem aumentado significativamente, mas a qualidade exige tempo, e não há atalhos para criar um produto excepcional. Por isso, completa ele: “Vai faltar carne de qualidade”.
Quem já experimentou uma carne de alta qualidade sabe que a diferença é marcante. O marmoreio, a maciez e o sabor fazem com que o consumidor dificilmente volte a consumir cortes inferiores. Com isso, a busca por carne premium disparou. No entanto, a produção desses animais não acontece da noite para o dia.
A qualidade da carne que chega ao prato do consumidor hoje é resultado de decisões tomadas há três anos. O processo envolve seleção genética rigorosa, nutrição de alto padrão e manejo cuidadoso, fatores que exigem tempo e planejamento estratégico.
Melhoramento genético e cruzamento industrial
Há vários fatores atrelados ao crescimento da produção de carnes nobres no Brasil, além da melhora da nutrição, outro fator determinante foi o melhoramento genético animal empregado em diversas raças que são amplamente criadas no Brasil.
O melhoramento busca animais com maior fertilidade, precocidade e rendimento de carcaça. Essa busca, atrelada a uma nutrição de qualidade, normalmente produz animais jovens com melhor acabamento de carcaça, resultando em um alto número de animais que produzem carne de qualidade.
Para os amantes de carne marmorizada, é importante registrar que há criadores brasileiros que identificaram linhagens da raça Nelore que produzem carne marmorizada. Antes folclore, agora já é possível produzir animais da raça com carne de extrema qualidade.

Outro nicho de mercado que Barcellos está sempre de olho são as fêmeas oriundas do cruzamento industrial, onde os produtos são resultado da heterose do sangue zebu com o europeu, o mais comum Nelore x Angus. Esse choque de sangue, principalmente nas fêmeas, produzem animais de qualidade absurda, alimentando esse mercado de carnes de qualidade.
“A gente criou a demanda e vai descobrir que não vai ter produto. O aumento da demanda é maior e mais rápido do que a nossa capacidade de produção”, alerta Barcellos.
O risco: escassez de cortes nobres
Se o ritmo de consumo continuar acelerado, os melhores cortes ficarão mais raros e disputados. Para garantir uma carne de excelência, é necessário um ciclo produtivo que leva anos, e a velocidade com que o mercado cresce pode gerar um “buraco” na oferta.
“A tomada de decisão de hoje vai influenciar no mercado daqui a três anos”, explica o especialista.
O que esperar do futuro da carne premium?
Os pecuaristas que investem na produção de carne de alta qualidade precisarão se preparar para atender essa demanda crescente. Isso exige investimentos contínuos em melhoramento genético, manejo nutricional avançado e sustentabilidade na produção.
Por outro lado, o consumidor que deseja continuar garantindo o melhor sabor e marmoreio impecáveis deve estar atento. Se a produção não acelerar no mesmo ritmo do consumo, cortes premium podem se tornar ainda mais exclusivos e caros.
⚠️ A pergunta que fica é: o mercado está preparado para essa nova realidade?
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