Indicador caiu para R$ 343,20 em São Paulo, enquanto contratos futuros avançaram; oferta restrita, resistência dos pecuaristas e novas possibilidades de exportação sustentam expectativa de recuperação
O mercado do boi gordo encerrou a última semana dividido entre a pressão observada no físico e uma expectativa mais positiva na B3. O Indicador Cepea/B3 fechou 21 de agosto em R$ 343,20/@, ante R$ 346,75 uma semana antes, acumulando queda de 1,02%. Nos levantamentos da Agrifatto e da Scot Consultoria, porém, predominou a estabilidade em diferentes praças, com o boi negociado próximo de R$ 350/@ em São Paulo.
Os frigoríficos aproveitaram o consumo doméstico enfraquecido na segunda quinzena e escalas mais confortáveis para testar preços menores. As propostas, contudo, encontraram resistência. Com a oferta de animais terminados a pasto ainda limitada, pecuaristas passaram a fracionar lotes ou adiar as vendas, impedindo que as baixas se espalhassem por todo o mercado.
Na B3, os contratos avançaram e passaram a indicar uma possível recuperação no último quadrimestre. O vencimento para setembro fechou em R$ 355,80/@, outubro alcançou R$ 365/@ e dezembro chegou a R$ 370/@. A valorização reflete expectativas de menor oferta sazonal, aumento do consumo no fim do ano e possível retomada da procura por bovinos jovens para atender aos primeiros embarques da cota chinesa de 2027.
O comércio exterior, entretanto, ainda exige cautela. Nas duas primeiras semanas de agosto, o Brasil exportou, em média, 9.442 toneladas de carne bovina por dia útil, queda de aproximadamente 26% frente ao mesmo período de 2025. A redução está ligada ao preenchimento da cota chinesa, mas pode ser parcialmente compensada pelos Estados Unidos, que anunciaram a possibilidade de importar até 300 mil toneladas de carne moída durante 90 dias sem comprometer as cotas tarifárias individuais. As regras e os países beneficiados ainda não foram detalhados.
A B3, portanto, já precifica uma virada, mas isso não significa que a alta esteja garantida. A oferta enxuta e a resistência dos pecuaristas limitam novas quedas, enquanto consumo fraco, menor demanda chinesa e saída de animais confinados restringem uma reação imediata. O cenário indica um mercado sustentado, com possibilidade de recuperação gradual entre setembro e dezembro.
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