Volume de S500 prometido pela Petrobras busca aliviar dificuldades enfrentadas no campo durante o plantio da safra de verão; nesta segunda-feira, produtores ainda aguardavam o avanço da distribuição
Produtores rurais do Rio Grande do Sul podem receber um reforço de 14 milhões de litros de diesel S500 após semanas de relatos de restrições e atrasos no abastecimento. O volume foi prometido pela Petrobras após uma série de tratativas envolvendo a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), segundo informações divulgadas pelo presidente da entidade rural, Domingos Velho Lopes.
A expectativa, porém, ainda depende de o combustível percorrer os próximos elos da cadeia. Na manhã desta segunda-feira (28), a informação disponível era de que a Petrobras comunicaria à ANP se as distribuidoras haviam solicitado o diesel reservado para atendimento ao setor. Isso significa que a negociação representa um avanço, mas ainda não permite afirmar que o abastecimento nas propriedades esteja normalizado. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.
Diesel volta a preocupar justamente durante o plantio
Os problemas não surgiram apenas nos últimos dias. Em 10 de setembro, a Farsul já relatava restrições e atrasos na entrega de combustível no Estado, em um momento em que produtores iniciavam os trabalhos relacionados à safra de verão. A situação foi noticiada no dia seguinte pelo Compre Rural na reportagem sobre os atrasos na entrega de diesel aos produtores gaúchos.
Naquele momento, a entidade alertava para o risco de o combustível não chegar no período adequado para a execução das operações agrícolas. A preocupação envolve uma característica própria da produção no campo: preparo, semeadura e outras atividades mecanizadas precisam acompanhar condições de solo, clima e calendário agronômico.
Agora, com o problema se estendendo por mais de duas semanas, a negociação da nova cota ocorre enquanto estão em andamento atividades relacionadas ao arroz e ao milho, além da aproximação do período de implantação das lavouras de soja. A relação entre a escassez e essas culturas também foi apontada nas negociações relatadas pela Farsul.
O que representam os 14 milhões de litros
O volume negociado é de diesel S500, combustível que continua tendo participação relevante no mercado brasileiro, embora esteja gradualmente perdendo espaço para o S10.
Dados oficiais da ANP mostram que 9,02 milhões de metros cúbicos de diesel S500 foram comercializados no Brasil entre janeiro e junho de 2026. O resultado representa queda de 5,1% em relação ao primeiro semestre de 2025.
No mesmo período, o S500 respondeu por 27,2% da soma das vendas de S500 e S10, participação 1,8 ponto percentual menor que a registrada um ano antes. Segundo a agência reguladora, a redução ocorre em todas as regiões do País e acompanha a substituição gradual do produto pelo diesel com menor teor de enxofre.
No Rio Grande do Sul, entretanto, o problema relatado pelo setor rural não se resume à participação de cada combustível no mercado nacional. O ponto decisivo é a disponibilidade física do produto onde ele é necessário.
Combustível ainda precisa chegar à ponta da cadeia
Uma das etapas centrais agora está na distribuição.
Segundo a apuração divulgada pela GZH, a cota prometida pela Petrobras é destinada aos Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs), agentes responsáveis por adquirir combustível a granel e realizar entregas a consumidores, incluindo propriedades e atividades que demandam volumes elevados.
Por isso, anunciar a disponibilidade de milhões de litros não significa, automaticamente, que máquinas agrícolas poderão ser abastecidas imediatamente.
Nesta segunda-feira, a expectativa era justamente verificar se as distribuidoras haviam feito os pedidos necessários para movimentar o combustível separado pela Petrobras. Esse é um dos pontos que precisam ser acompanhados antes de considerar encerrado o problema enfrentado pelos produtores.
Restrição já havia sido denunciada pela Farsul
A atual dificuldade de fornecimento sucede outros episódios registrados ao longo de 2026.
Quando voltou a alertar sobre o problema em setembro, a Farsul lembrou que produtores também haviam enfrentado dificuldades durante a colheita de arroz e soja no início do ano. Segundo a entidade, naquele episódio havia indicação de estoques disponíveis, mas o combustível não chegava normalmente a todas as propriedades.
Além do risco de indisponibilidade, o combustível tornou-se uma preocupação relevante nos custos da produção gaúcha.
Em abril, levantamento da Farsul apontou que uma alta de 21,1% no preço do diesel S10, de R$ 5,97 para R$ 7,23 por litro no período analisado, poderia acrescentar cerca de R$ 612,2 milhões aos custos diretos das operações mecanizadas das principais lavouras do Estado. O tema foi detalhado na reportagem sobre o impacto da alta do diesel no agronegócio do Rio Grande do Sul.
Mercado brasileiro de combustíveis segue sob monitoramento
A discussão ocorre em um ano no qual o abastecimento nacional de combustíveis passou a receber acompanhamento mais intenso da ANP.
Em 19 de março de 2026, a agência declarou o chamado Sobreaviso no Abastecimento, mecanismo que determina o envio de informações adicionais sobre estoques e movimentações de produtos como gasolina A, diesel A S10 e diesel A S500 por agentes regulados.
Naquela ocasião, a ANP ressaltou que não identificava restrição nacional ao abastecimento e que a medida tinha caráter preventivo diante do cenário internacional. A ressalva é importante: problemas regionais ou logísticos relatados posteriormente no Rio Grande do Sul não equivalem, por si só, a uma declaração oficial de desabastecimento nacional.
Também em setembro, a Petrobras aderiu ao novo programa federal de subvenção ao diesel. A Portaria do Ministério da Fazenda nº 2.813 estabeleceu subsídio de R$ 1 por litro de óleo diesel A rodoviário durante 30 dias, dentro das regras anunciadas pelo governo federal.
Próxima resposta virá da distribuição
A negociação dos 14 milhões de litros abre uma perspectiva de redução da pressão sobre o abastecimento rural gaúcho, mas a efetividade da medida dependerá do que acontecer depois da disponibilização do produto.
O principal ponto a observar agora é se os pedidos serão realizados e se o combustível chegará aos TRRs e, posteriormente, aos produtores dentro do prazo exigido pelas operações agrícolas.
Até que essa movimentação seja confirmada, o cenário mais preciso é o de uma cota prometida e separada para tentar aliviar o fornecimento, e não o de uma crise já solucionada.
No campo, a diferença entre essas duas situações é concreta: a solução só estará completa quando o diesel disponível na cadeia conseguir chegar às máquinas no momento em que elas precisam trabalhar.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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