Em Vila Rica, no Mato Grosso, Maísa Rossoni divide o trabalho na fazenda com os pais e mostra como concilia a pecuária com a maternidade e a produção de conteúdo
O manejo do gado, o preparo da alimentação dos animais e os cuidados com uma filha pequena fazem parte do cotidiano de Maísa Rossoni, de 24 anos. Moradora de Vila Rica, no interior de Mato Grosso, a jovem trabalha ao lado dos pais em uma propriedade com aproximadamente mil cabeças de gado. Entre as responsabilidades da criação e a maternidade, encontrou também uma oportunidade de mostrar a vida rural para quem está do outro lado da tela.
Os registros da fazenda fizeram seu perfil ganhar repercussão e reunir quase 200 mil seguidores no Instagram, conforme divulgado no início de outubro. A audiência acompanha uma rotina que combina trabalho, convivência familiar e os desafios de criar uma menina de 2 anos. Apesar das oportunidades que surgiram com a exposição, a pecuária continua no centro de seus planos profissionais.
A ligação com o campo começou depois de uma mudança da família
Maísa nasceu em Paraíso do Tocantins, onde o pai trabalhava no comércio. A mudança para Mato Grosso aconteceu quando ela tinha apenas 5 anos, depois que a família vendeu o negócio e decidiu se estabelecer em uma região onde já viviam parentes de sua mãe.
Antes de se instalar na propriedade rural, a família passou um período na cidade. A chegada à fazenda trouxe uma mudança de profissão para o pai, que precisou aprender a trabalhar com os animais e conhecer as exigências da criação de gado.
Do lado materno, a ligação com a atividade já existia: o avô de Maísa tinha propriedade rural e trabalhava com leite. Foi nesse ambiente que ela cresceu, acompanhando a adaptação dos pais e se familiarizando com as tarefas que hoje fazem parte de sua profissão.
Com o passar dos anos, permanecer no campo se tornou uma escolha. Enquanto o irmão deixou a propriedade para estudar no Tocantins, Maísa manteve seus projetos ligados à fazenda.
A possibilidade de cursar Medicina Veterinária chegou a fazer parte dos planos, mas com um objetivo conectado à criação: adquirir conhecimentos que pudessem contribuir para o trabalho com os animais e para as melhorias na propriedade.

Aos 20 anos, comprou suas primeiras matrizes
O convívio com a pecuária começou na infância, mas Maísa identifica um momento específico como o início de sua trajetória por conta própria: a compra das primeiras matrizes, aos 20 anos.
A aquisição marcou sua entrada como investidora na atividade. Além de ajudar os pais, ela passou a construir sua própria participação na criação de bovinos, mantendo o vínculo com a estrutura familiar.
Hoje, o rebanho de cerca de mil animais integra a rotina de trabalho dos três. O cuidado com o gado é compartilhado entre Maísa e os pais, assim como as demais tarefas necessárias ao funcionamento da fazenda.
Essa distinção ajuda a compreender a dimensão de suas responsabilidades: a jovem participa ativamente da lida, dentro de um negócio sustentado pelo trabalho da família.
O serviço vai do curral à produção de alimento para o rebanho
A participação de Maísa na propriedade envolve diferentes etapas da pecuária. Além do manejo dos bovinos, ela auxilia no preparo do trato, na produção de silagem e nas atividades de semiconfinamento.
A alimentação dos animais ocupa espaço importante nessa organização. Produzir e distribuir o alimento exige trabalho com máquinas, acompanhamento do rebanho e planejamento das tarefas da propriedade.
Mas a rotina também inclui atividades fora da criação de bovinos. Maísa comercializa aves jovens e ovos, além de ajudar na venda de leite na cidade. São diferentes frentes de trabalho que contribuem para a renda familiar e precisam ser acomodadas no mesmo dia.
A variedade de responsabilidades explica por que seu conteúdo não se limita a imagens com os animais. Os registros também mostram etapas do serviço que muitas vezes ficam distantes de quem conhece a fazenda apenas pelo produto que chega ao mercado.
A criação da filha depende de uma rede de apoio
A maternidade acrescentou novas necessidades à organização da família. Separada e mãe de uma menina de 2 anos, Maísa conta com os pais para dividir os cuidados com a criança enquanto mantém sua participação nas atividades rurais.
O revezamento permite ajustar as tarefas conforme o movimento da fazenda. Quando ela precisa se dedicar ao serviço, os avós ajudam com a menina; em outros momentos, a jovem assume os cuidados para que a mãe possa trabalhar.
O apoio familiar é uma parte essencial dessa conciliação. A rotina com os animais continua exigindo atenção, ao mesmo tempo que a criança precisa de presença e acompanhamento.
A filha também cresce em contato com o ambiente rural e já demonstra interesse pelos animais. Essa convivência aproxima sua infância da experiência da própria Maísa, que aprendeu a conhecer a fazenda acompanhando os adultos.
Mais adiante, os estudos da menina poderão exigir mudanças. A possibilidade de passar mais tempo na cidade faz parte das conversas da família, embora a jovem demonstre forte preferência pela vida no campo.
Vídeos da lida aproximaram a fazenda de milhares de pessoas
A produção de conteúdo começou com publicações pessoais, cerca de cinco anos antes da repercussão recente. Aos poucos, Maísa percebeu que as imagens do trabalho com o gado despertavam interesse e passou a concentrar o perfil na vida rural.
Um dos registros que ajudaram a ampliar sua audiência mostrava o manejo no curral. A partir da repercussão, o cotidiano da propriedade passou a alcançar pessoas com diferentes relações com o campo.
Parte do público trabalha no agronegócio e se reconhece nas tarefas. Outra parcela acompanha os vídeos por curiosidade sobre uma atividade distante da experiência urbana.
Há ainda seguidores que deixaram a zona rural e encontram nas publicações lembranças da infância e da convivência com a família. Assim, o perfil ganhou uma função que vai além de apresentar o trabalho: tornou-se também um espaço de identificação com a vida no interior.
O crescimento trouxe perguntas de pessoas interessadas em começar na pecuária. A experiência da jovem passou a despertar curiosidade sobre os primeiros investimentos e a entrada na criação de gado.
Reconhecimento saiu das telas e chegou a Barretos
A dimensão do alcance ficou mais evidente durante uma visita à Festa do Peão de Barretos, em agosto de 2026. Na ocasião, Maísa encontrou seguidores que reconheceram seu trabalho e se aproximaram para conversar.
Para quem vive em uma cidade do interior e concentra boa parte da rotina na fazenda, a experiência mostrou como as publicações estavam chegando a pessoas de outras regiões.
A exposição também trouxe comentários sobre sua aparência e a atividade que exerce. Com 1,54 metro de altura, a jovem relata que algumas pessoas demonstram surpresa ao descobrir sua participação diária no manejo de bovinos.
Sua história dá visibilidade a uma atuação feminina que também aparece em outras trajetórias já apresentadas pelo Compre Rural, como as de mulheres que participam da gestão de propriedades rurais.
Parcerias surgiram, mas a renda principal continua na fazenda
Com o crescimento do perfil, apareceram oportunidades de publicidade com empresas do agronegócio e de outros segmentos, como roupas e produtos para a casa.
As parcerias ampliaram suas possibilidades profissionais, mas a atividade rural permanece como sua principal fonte de renda. A produção de conteúdo se desenvolveu a partir do trabalho na propriedade e continua ligada a ele.
Essa relação também orienta seus planos. Maísa pretende seguir investindo na criação de gado, ampliar sua atuação na pecuária e manter as publicações sobre o cotidiano.
Ao compartilhar essa trajetória, espera incentivar outras mulheres que trabalham no campo, são mães ou enfrentam a necessidade de reorganizar a vida depois de uma separação. A independência financeira e a possibilidade de construir uma carreira no meio rural estão entre as mensagens que deseja transmitir.
Aos 24 anos, seus projetos continuam concentrados no lugar onde cresceu. A fazenda reúne o trabalho, a família e os planos de expansão — e foi essa combinação que levou sua história para além das porteiras.
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