Quedas do tomate, da batata-inglesa e do café moído compensaram parte da alta da energia elétrica e contribuíram para a desaceleração da prévia da inflação
Alimentos ficam 0,66% mais baratos em julho e exercem a principal influência negativa sobre a prévia da inflação brasileira. Com esse alívio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, o IPCA-15, desacelerou de 0,41% em junho para 0,06% neste mês, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado ficou 0,35 ponto percentual abaixo da leitura anterior. No acumulado de 2026, o indicador chegou a 3,51%. Em 12 meses, passou de 4,80% para 4,52%. Em julho do ano passado, a taxa havia sido de 0,33%.
Alimentos ficam 0,66% mais baratos no IPCA-15
O grupo Alimentação e Bebidas saiu de uma alta de 0,74% em junho para uma retração de 0,66% em julho. Com impacto negativo de 0,15 ponto percentual, o segmento neutralizou a contribuição positiva de mesma intensidade registrada por Habitação.
A redução ocorreu principalmente entre os produtos comprados pelas famílias para consumo em casa. Nesse segmento, os preços caíram 1,14%, enquanto os gastos com alimentação fora do domicílio seguiram em alta.
A mudança representa uma reversão em relação ao mês anterior, e não uma sequência de quedas. Em junho, os alimentos ainda figuravam entre as principais pressões sobre o IPCA-15, com avanço de 0,74% e contribuição de 0,16 ponto percentual para o índice.
Tomate, batata e café lideram as reduções
O tomate apresentou a queda mais expressiva entre os produtos destacados pelo IBGE, ficando 19,95% mais barato. A batata-inglesa recuou 10,03%, enquanto o café moído teve redução de 3,13%.
Essas baixas tiveram peso relevante no resultado da alimentação no domicílio, mas não foram acompanhadas por todos os itens pesquisados. A cebola subiu 7,10%, e o pão francês ficou 0,65% mais caro.
Os dados mostram que a redução média do grupo não significa queda uniforme nas prateleiras. O impacto percebido por cada família depende dos produtos consumidos e da participação de cada item no orçamento doméstico.
Alimentação fora de casa acelera
Enquanto as compras para preparo em casa ficaram mais baratas, a alimentação fora do domicílio avançou de 0,40% para 0,55% entre junho e julho.
O preço médio das refeições subiu 0,66%, acima dos 0,39% registrados no mês anterior. Já os lanches tiveram comportamento diferente: a alta desacelerou de 0,45% para 0,30%.
Essa diferença impede que a queda observada nos alimentos adquiridos em mercados seja interpretada como uma redução generalizada das despesas com alimentação.
Energia elétrica limita desaceleração do IPCA-15
A inflação de julho não foi menor porque outros grupos avançaram, especialmente Habitação. O segmento registrou alta de 0,97% e acrescentou 0,15 ponto percentual ao IPCA-15, compensando integralmente o impacto negativo de Alimentação e Bebidas.
A energia elétrica residencial subiu 3,03% e respondeu, sozinha, por 0,12 ponto percentual do resultado geral. O movimento refletiu a vigência da bandeira tarifária amarela e reajustes incorporados em diferentes regiões pesquisadas.
Transportes também voltou ao campo positivo, passando de queda de 0,03% em junho para alta de 0,11% em julho. As passagens aéreas avançaram 11,70%, enquanto os combustíveis recuaram 0,90%. Houve redução no etanol, no óleo diesel, no gás veicular e na gasolina.
Alimentos ficam 0,66% mais baratos e aliviam orçamento
A retração da alimentação ajudou a conter a prévia da inflação em um mês marcado por aumentos nas despesas residenciais. Como o grupo possui participação relevante no consumo das famílias, sua contribuição negativa foi decisiva para que o IPCA-15 permanecesse próximo da estabilidade.
O indicador acompanha famílias com rendimento mensal entre um e 40 salários mínimos. Para o resultado de julho, os preços foram coletados de 17 de junho a 15 de julho e comparados com os valores registrados entre 16 de maio e 16 de junho.
A metodologia é semelhante à utilizada no IPCA oficial, mas os dois índices possuem períodos de coleta e abrangência geográfica diferentes. Por isso, os resultados não devem ser combinados como se pertencessem à mesma série mensal.
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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