Alerta vermelho coloca Sul sob risco de chuva acima de 100 mm e ventos superiores a 100 km/h

Aviso de grande perigo alcança 529 municípios de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná; previsão indica chuva acima de 100 mm por dia, granizo e rajadas superiores a 100 km/h

Uma nova rodada de tempo severo coloca parte da Região Sul em nível máximo de atenção. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu um alerta vermelho de grande perigo para tempestades nesta sexta-feira, 9 de outubro, atingindo áreas de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

O aviso começa à 0h01 e segue até 23h59 de sexta-feira. Durante esse período, podem ocorrer chuvas superiores a 60 milímetros por hora ou acumulados acima de 100 milímetros em 24 horas, além de rajadas de vento superiores a 100 km/h e queda de granizo.

O nível vermelho é o mais elevado na classificação dos alertas meteorológicos do INMET e indica possibilidade de fenômenos capazes de provocar impactos relevantes. Entre os riscos apontados estão danos em edificações, interrupções no fornecimento de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores, alagamentos e transtornos no transporte rodoviário. A relação de localidades abrangidas pelo aviso soma 529 municípios nos três estados da Região Sul.

Alerta não cobre todo o Sul

Apesar da dimensão do episódio, é importante destacar que nem todo o território de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná está dentro da faixa vermelha.

O aviso de maior severidade alcança principalmente áreas do Oeste e da Serra de Santa Catarina, além de setores do Noroeste, Centro Ocidental, Nordeste, Centro Oriental e Sudoeste do Rio Grande do Sul.

No Paraná, estão incluídas principalmente regiões do Oeste, Sudoeste, Sudeste e Centro-Sul.

Outras localidades da Região Sul também estão sob risco de tempestades, mas aparecem em avisos meteorológicos de níveis inferiores.

Entre os municípios inseridos na faixa de maior perigo estão importantes polos agropecuários como Cascavel, Toledo, Francisco Beltrão e Pato Branco, no Paraná; Chapecó, Concórdia, Xanxerê e Joaçaba, em Santa Catarina; e Passo Fundo, Ijuí, Erechim, Santa Rosa, Santo Ângelo e Vacaria, no Rio Grande do Sul.

Ventos acima de 100 km/h já foram registrados

O cenário de instabilidade não começa somente na sexta-feira.

Durante a madrugada desta quinta-feira (8), a Defesa Civil do Rio Grande do Sul emitiu alertas de condição severa para áreas próximas de Alegrete e Piratini, indicando tempestades com rajadas superiores a 100 km/h e risco muito alto de destelhamentos.

O monitoramento do Simepar também apontou registros de rajadas acima desse patamar em estações localizadas entre a Campanha e a Serra do Sudeste gaúcha.

A instabilidade estava associada à organização de tempestades sobre o Sul do continente, alimentadas pelo transporte de calor e umidade para a região.

No Rio Grande do Sul, o cenário já vinha sendo acompanhado desde quarta-feira (7), com previsão de temporais acompanhados de granizo, chuva intensa e vendavais.

Chuva acumulada pode superar 150 mm em partes do Rio Grande do Sul

Além da intensidade prevista para sexta-feira, preocupa o volume de água acumulado durante toda a sequência de instabilidades.

Segundo a Defesa Civil gaúcha, entre quarta (7) e sexta-feira (9), os acumulados podem superar pontualmente 150 milímetros em áreas do Oeste, Missões, Noroeste e Sul do estado.

Para a sexta-feira, especificamente, a previsão estadual indica volumes geralmente entre 10 e 60 milímetros, com pontos que podem chegar a 100 milímetros na Campanha, Sul e Costa Doce.

Também há previsão de temporais isolados com granizo e chuva forte em áreas do Noroeste, Norte, Campanha, Sul e Costa Doce.

Esse cenário exige atenção adicional em locais onde o solo já recebeu volumes elevados nos últimos dias. Em terrenos saturados, novas pancadas intensas podem aumentar o escoamento superficial da água e favorecer alagamentos, enxurradas e problemas de trafegabilidade em estradas rurais.

Paraná entra na rota das tempestades

No Paraná, as condições meteorológicas também devem se deteriorar.

Na manhã desta quinta-feira, o estado ainda apresentava predomínio de tempo relativamente estável em diversas regiões. Entretanto, o Simepar já acompanhava o avanço das áreas de instabilidade que atravessavam o Rio Grande do Sul.

O desenvolvimento de uma área de baixa pressão sobre países vizinhos, somado ao transporte de calor e umidade, favorece a formação de tempestades.

A organização de um sistema de baixa pressão próximo ao Uruguai também contribui para intensificar as instabilidades na Região Sul.

No Paraná, Oeste, Sudoeste e Centro-Sul aparecem entre os setores com maior atenção para ocorrência de temporais.

A previsão do INMET para sexta-feira também indica risco de granizo em uma extensa faixa paranaense, incluindo áreas do Oeste, Sudoeste, Centro, Sul e Leste do estado.

Santa Catarina também está na faixa de grande perigo

Em Santa Catarina, o Oeste catarinense e áreas serranas aparecem dentro da faixa do alerta vermelho.

O risco para o campo é relevante porque essas regiões concentram algumas das principais cadeias agropecuárias do país, especialmente avicultura, suinocultura, produção de leite, milho, soja, trigo, frutas e hortaliças.

Rajadas muito intensas podem afetar estruturas rurais, enquanto o granizo representa risco direto às culturas expostas.

Instalações como aviários, pocilgas, galpões, estufas, silos e redes de distribuição de energia também exigem atenção diante da possibilidade de vendavais.

Em propriedades com sistemas intensivos de produção animal, interrupções prolongadas no fornecimento elétrico também podem afetar equipamentos de ventilação, climatização, fornecimento de água e alimentação automatizada.

Granizo aumenta preocupação com as lavouras

Para o produtor rural, a combinação prevista para sexta-feira é especialmente delicada porque reúne chuva intensa, vento forte e possibilidade de granizo.

Os efeitos dependem do estágio de cada cultura e da intensidade do fenômeno em cada propriedade.

O granizo pode provocar danos mecânicos em folhas, caules, frutos e estruturas das plantas. Os ventos intensos, por sua vez, podem causar acamamento, quebra de galhos, queda de frutos e danos em instalações.

Já volumes elevados de chuva concentrados em períodos curtos podem dificultar operações de campo, aumentar o encharcamento em áreas com drenagem deficiente e comprometer estradas internas.

O próprio INMET inclui estragos em plantações entre os impactos possíveis associados ao alerta vermelho.

Por que as tempestades ganharam força

O episódio está relacionado a uma configuração atmosférica favorável à formação de tempestades no Sul do continente.

Uma área de baixa pressão atua sobre países vizinhos ao Brasil enquanto ventos transportam calor e umidade para a região.

Essa combinação aumenta a disponibilidade de energia para o desenvolvimento de nuvens de tempestade.

Na madrugada desta quinta-feira, meteorologistas também acompanharam a organização de um Sistema Convectivo de Mesoescala, estrutura formada por um conjunto organizado de tempestades capaz de produzir chuva intensa, granizo e fortes rajadas de vento.

A sequência de sistemas mantém elevada a instabilidade sobre parte da Região Sul e explica a escalada dos avisos meteorológicos para a sexta-feira.

Cuidados precisam começar antes da chegada do temporal

Diante de um alerta de grande perigo, as medidas de prevenção devem ser tomadas antes da chegada das tempestades e somente quando houver condições seguras.

No campo, trabalhadores devem evitar atividades ao ar livre durante a aproximação de núcleos severos, principalmente em áreas abertas ou próximas a árvores isoladas, postes e estruturas metálicas.

Equipamentos e objetos que possam ser deslocados pelo vento devem ser protegidos quando isso puder ser feito com antecedência e segurança.

Propriedades dependentes de energia para ordenha, refrigeração, ventilação ou abastecimento automatizado também devem verificar seus sistemas de contingência antes da piora do tempo.

O INMET recomenda desligar aparelhos elétricos e o quadro geral de energia quando necessário, proteger documentos em situações com risco de enxurrada e buscar abrigo em caso de perigo confirmado.

Durante rajadas intensas, a orientação é não permanecer debaixo de árvores e evitar áreas próximas a torres de transmissão, placas e outras estruturas que possam cair.

Em situações de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada pelo 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.

Como tempestades severas podem apresentar comportamento bastante localizado, produtores e moradores devem acompanhar os avisos atualizados ao longo da quinta-feira e da sexta-feira.

ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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