Agropalma cria sistema próprio para acompanhar riscos climáticos e combater incêndios

Desenhada de forma customizada, plataforma reúne dados georreferenciados para orientar a atuação das brigadas, agilizar resposta a focos de calor e ampliar a proteção das áreas produtivas da companhia e de parceiros.

Os eventos climáticos extremos representam um desafio crescente para o agronegócio brasileiro, especialmente na região norte do país, onde a produção geralmente se correlaciona com a floresta. Um estudo recente do Projeto Amazônia 2030 revela que os prejuízos agropecuários registrados na Amazônia Legal somaram cerca de R$6 bilhões entre 2021 e 2024, impulsionados pela vulnerabilidade a secas e incêndios florestais.

Diante da intensificação do El Niño e dos riscos associados ao fenômeno, empresas do agro brasileiro, especialmente as que atuam na região amazônica, já se preparam para blindar suas produções. A Agropalma, empresa brasileira, parte do grupo Daabon, reconhecida mundialmente como referência na produção sustentável de soluções com óleo de palma, criou um Sistema de Informação Geográfica (SIG/GIS), de uso proprietário, para acompanhar as condições climáticas e identificar focos de calor. A solução foi concebida para apoiar decisões relacionadas ao manejo agrícola e à prevenção de queimadas.

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Elaborada com o auxílio da inteligência artificial (IA) pelas equipes de Fitotecnia, Agricultura de Precisão e Geoprocessamento da companhia, a plataforma utiliza o sistema da ArcGIS e combina dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) com informações de satélites e sensores da NASA. O cruzamento desse material alimenta painéis interativos, configurados para atender às necessidades das equipes responsáveis pelo acompanhamento das lavouras e pelo combate ao fogo.

A análise das condições climáticas subsidia o planejamento agrícola. Por ser uma cultura perene, a palma tem o seu desenvolvimento e a sua produtividade influenciados pelas condições climáticas ao longo do ciclo. Com informações meteorológicas e registros das condições locais, a ferramenta permite antecipar decisões de manejo e orientar medidas preventivas em resposta a eventos climáticos adversos.

Tecnologia como escudo

Mais do que apoiar o planejamento agrícola, a plataforma possibilita rastrear focos de calor de forma georreferenciada, distinguindo ocorrências identificadas dentro das propriedades daquelas registradas nas áreas vizinhas. A cobertura alcança um raio de até cinco quilômetros além dos limites das fazendas, viabilizando identificar possíveis ameaças antes que se aproximem das áreas produtivas.

Atualmente, a Agropalma conta com oito pontos de monitoramento dentro de sua propriedade, bem como outros oito instalados em municípios paraenses: Acará, Baião, Cametá, Igarapé Mirim, Mocajuba, Moju, Tailândia e Tomé Açu. Ao todo, são 16 pontos de observação. 

Pela amplitude territorial com a qual trabalha, a ferramenta contempla as propriedades de agricultores vinculados ao Programa de Agricultura Familiar. A iniciativa beneficia 445 agricultores familiares e 64 produtores integrados, que contam com mais este suporte por parte da Agropalma.

“O pequeno produtor muitas vezes não tem acesso a tecnologias avançadas de previsibilidade climática ou monitoramento em tempo real”, afirma Anderlon Andrade, coordenador Técnico em Agricultura de Precisão da Agropalma. “Ao incluirmos essas propriedades no nosso sistema, conseguimos alertá-los rapidamente sobre qualquer foco de calor que se aproxime de suas terras, ajudando a proteger o seu sustento e a vida dessas famílias”.

Do satélite ao caminhão-pipa

A plataforma organiza as informações necessárias para orientar a resposta das equipes operacionais. Diariamente, o sistema consolida as detecções e emite um Boletim de Monitoramento de Queimadas para os gestores e brigadistas. Esse documento funciona como uma ferramenta de apoio à decisão, trazendo um mapa operacional, as coordenadas exatas dos focos e a distância em relação às fazendas.

Para assegurar precisão no envio de brigadistas e caminhões-pipa, o sistema classifica o nível operacional de risco em cores: verde, para risco baixo e acompanhamento preventivo; amarelo, para moderado; laranja, para alto; e vermelho, para crítico, com a necessidade de avaliação imediata e acionamento das equipes de combate.

“Quando utilizávamos plataformas padronizadas, lidávamos com falsos alertas, o que dificultava saber a exata distância de um foco de incêndio”, complementa Andrade. “Ao criarmos nossa própria solução, ganhamos autonomia. A tecnologia proporciona avaliar melhor a localização dos focos e sua proximidade das áreas monitoradas, evitando deslocamentos desnecessários de maquinário e contribuindo para a segurança das equipes”.

O coordenador destaca a importância da preditividade. “Por vezes, dentro de nossa propriedade ou na de algum parceiro não temos nenhum foco de incêndio, mas em terras vizinhas, sim. O programa nos mantém em alerta sobre isso, pois dada a dinâmica dos ventos e a secura local, as cinzas ou a fuligem que se espalham podem provocar uma queimada em nossas terras.”

Apoio à gestão ambiental

O sistema integra as ações de prevenção de incêndios relacionadas aos compromissos ambientais da Agropalma. Os registros gerados propiciam que as equipes de Meio Ambiente e Sustentabilidade acompanhem possíveis ocorrências e subsidiem medidas preventivas.

A ferramenta está alinhada ao critério 7.6.6 dos Princípios e Critérios da certificação internacional da Roundtable on Sustainable Palm Oil (RSPO), que prevê a elaboração e a implementação de procedimentos para mitigar o risco de incêndios nas áreas abrangidas pela certificação, com participação das partes interessadas.

Conectividade no campo e rotas inteligentes

A implementação do painel interativo é apenas a primeira fase de uma ampliação da digitalização das operações. Otimizando a expansão da infraestrutura de telecomunicações nas operações, o próximo passo da Agropalma é garantir autonomia mobile para as equipes de linha de frente, reduzindo a dependência exclusiva da comunicação via rádio.

“O principal impacto de conceber uma ferramenta proprietária é podermos adaptá-la quase 100% à nossa realidade”, explica Anderlon. “Nossa visão de futuro é que cada brigadista e cada caminhão-pipa tenham autonomia com um smartphone na mão. O objetivo é que o aplicativo trace automaticamente a rota mais curta até o foco de incêndio e indique os pontos de captação de água mais próximos. Com a nova rede de comunicação, haverá maior autonomia e uma capacidade de resposta ainda mais imediata”, finaliza. 

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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