Três casos foram registrados em Tarauacá e um em Mâncio Lima; órgão destaca vacinação dos rebanhos, atenção aos sinais clínicos e comunicação imediata de suspeitas.
O Acre já confirmou quatro casos de raiva animal em 2026, levando o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (IDAF) a reforçar as ações de prevenção junto aos produtores rurais do Vale do Juruá. Os registros ocorreram em Tarauacá, com três casos, e Mâncio Lima, com um, enquanto Cruzeiro do Sul não teve confirmação da doença neste ano. O alerta foi intensificado durante as atividades relacionadas ao Dia Mundial de Combate à Raiva, celebrado em 28 de setembro.
A situação chama atenção porque a raiva é uma zoonose de elevada letalidade, capaz de atingir animais e seres humanos. No meio rural, a enfermidade representa um risco direto para bovinos, equinos e outros herbívoros, além de exigir cuidados específicos por parte dos produtores e trabalhadores que tenham contato com os animais.
Segundo a médica veterinária do IDAF Andressa de Castro, a doença continua sendo uma realidade na região e exige ações permanentes de prevenção. O instituto aproveitou o período de conscientização para levar informações aos produtores e reforçar a importância da vacinação e da identificação precoce de animais suspeitos.
Raiva pode provocar perdas no rebanho
Nos herbívoros, a doença normalmente provoca alterações neurológicas que evoluem rapidamente. Entre os sinais que podem despertar suspeita estão mudança de comportamento, isolamento do restante do rebanho, dificuldade para engolir, salivação excessiva, andar cambaleante, falta de coordenação, paralisia e dificuldade respiratória. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) orienta que suspeitas de raiva em herbívoros sejam comunicadas imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial.
A doença é causada por um vírus e, nos animais de criação, a transmissão ocorre principalmente pela ação de morcegos hematófagos, especialmente da espécie Desmodus rotundus. A infecção pode acontecer por mordedura ou lambedura durante a alimentação do morcego.
Para o produtor, isso significa que a vigilância precisa fazer parte da rotina da propriedade. Animais que apresentem alterações neurológicas não devem ser manipulados de forma desnecessária, já que o contato com saliva de um animal infectado pode representar risco de transmissão.
Além da possibilidade de mortalidade dos animais, a ocorrência da doença exige atuação rápida dos serviços de defesa agropecuária para investigar o foco e evitar que novos casos sejam registrados nas propriedades próximas.
Vacinação é uma das principais medidas de prevenção
O Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros (PNCRH) estabelece como uma de suas principais estratégias a vacinação de herbívoros domésticos, junto à vigilância epidemiológica e ao monitoramento de abrigos e populações de morcegos hematófagos.
De acordo com o Mapa, a vacinação é recomendada especialmente em situações de ocorrência de focos e deve ser aplicada conforme a orientação do serviço veterinário oficial e das regras estaduais. Animais que recebem a primeira vacinação precisam passar por revacinação 30 dias depois, enquanto a duração considerada da imunidade é de no máximo 12 meses.
O órgão federal também reforça que a vacinação deve ser mantida adequadamente desde a compra até a aplicação, com conservação entre 2°C e 8°C, sem congelamento.
No Acre, o IDAF trabalha dentro das ações de prevenção e controle da doença, envolvendo vigilância, educação sanitária, monitoramento de áreas de risco e atendimento a ocorrências. Em junho, o instituto já havia realizado ações de vigilância sanitária em propriedades rurais de Tarauacá após relatos de mortalidade de bovinos, incluindo atividades previstas pelo programa de controle da raiva.
Morcegos hematófagos entram no radar da defesa agropecuária
O controle dos morcegos hematófagos é outro componente importante da estratégia contra a doença. O PNCRH prevê monitoramento de abrigos e das atividades desses morcegos, além de ações específicas de controle em áreas consideradas de maior risco.
O Mapa destaca que o controle desses transmissores deve ser realizado dentro dos procedimentos técnicos definidos pelos serviços oficiais. O produtor que identificar animais atacados por morcegos ou suspeitar da presença de abrigos deve comunicar a defesa sanitária animal, evitando realizar por conta própria operações que exijam captura ou manejo especializado.
A identificação de mordeduras também merece atenção. Feridas provocadas por morcegos podem ser um indicativo de circulação do transmissor na propriedade e devem ser comunicadas ao serviço veterinário, principalmente em regiões onde já existem registros da doença.
Alerta também envolve saúde humana
Por ser uma zoonose, a preocupação não se limita à saúde dos animais. O Ministério da Saúde destaca que a raiva continua sendo uma doença de grande importância para a saúde pública e que, no Brasil, os morcegos são atualmente uma das principais fontes de infecção da raiva em humanos.
Por isso, qualquer pessoa que tenha tido contato com um animal suspeito deve buscar orientação dos serviços de saúde. No caso dos animais de produção, o Mapa determina que a suspeita ou ocorrência de raiva seja notificada ao Serviço Veterinário Oficial, e os sinais neurológicos devem motivar comunicação imediata para investigação.
Com os quatro casos já confirmados no Acre neste ano, o reforço da vigilância no Vale do Juruá busca impedir a disseminação da doença e reduzir os riscos para os rebanhos e para as pessoas que vivem e trabalham no campo.
A orientação central para os produtores é manter a vacinação conforme as recomendações veterinárias, observar alterações no comportamento dos animais e comunicar rapidamente qualquer suspeita ao IDAF. A prevenção continua sendo a principal ferramenta para reduzir os impactos da raiva nas propriedades rurais.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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