Entidade estima processamento de 66 milhões de toneladas no próximo ano, enquanto demanda por derivados e produção de biodiesel impulsionam a indústria brasileira.
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) atualizou as projeções para o complexo soja em 2026 e divulgou as primeiras estimativas para 2027. O processamento da oleaginosa no Brasil deve alcançar 63,6 milhões de toneladas neste ano e avançar para 66 milhões de toneladas no próximo, consolidando a perspectiva de crescimento da indústria nacional. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (22).
A projeção para 2026 representa uma alta de 0,2% em relação à estimativa anterior. Para 2027, o volume previsto de esmagamento é 3,8% superior ao esperado para este ano, refletindo a demanda crescente por farelo e óleo de soja, além das perspectivas de ampliação do uso do óleo na fabricação de biocombustíveis.
Segundo Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, o ritmo de processamento acompanha a necessidade de abastecer o mercado interno com farelo, utilizado principalmente na alimentação animal, e óleo, destinado tanto à indústria de biocombustíveis quanto às exportações.
Processamento de soja cresce no Brasil
Os dados mais recentes reforçam a expansão da atividade industrial. Em agosto de 2026, o processamento de soja alcançou 5,03 milhões de toneladas, volume 9% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, considerando o ajuste pelo percentual amostral. Na comparação com julho, entretanto, houve recuo de 1,8%.
No acumulado de janeiro a agosto, o esmagamento chegou a 38,67 milhões de toneladas, crescimento de 8,4% em relação ao mesmo período do ano passado, também com ajuste pelo percentual amostral.
Para 2026, a produção de farelo de soja está estimada em 48,95 milhões de toneladas, enquanto a fabricação de óleo deve atingir 12,8 milhões de toneladas. As exportações de farelo estão projetadas em 25,3 milhões de toneladas, e os embarques de óleo devem alcançar 1,95 milhão de toneladas, alta de 8,3% sobre a estimativa anterior.
Já as exportações de soja em grão foram revisadas para 113,9 milhões de toneladas, redução de 1% em relação à projeção prévia.
Abiove prevê avanço do complexo soja em 2027
Para o próximo ano, a entidade estima que o processamento alcance 66 milhões de toneladas. A produção de farelo deve chegar a 50,8 milhões de toneladas, com exportações previstas em 26,3 milhões de toneladas.
No segmento de óleo de soja, a produção está estimada em 13,27 milhões de toneladas, enquanto as exportações devem somar 1,9 milhão de toneladas. A expectativa é de que o mercado interno absorva uma parcela importante da produção, especialmente diante da demanda associada à fabricação de biodiesel.
As exportações brasileiras de soja em grão, por sua vez, devem atingir 113 milhões de toneladas em 2027. A estimativa representa uma redução de aproximadamente 0,8% em relação ao volume projetado para 2026. As importações estão previstas em 900 mil toneladas de soja, além de 100 mil toneladas de óleo.
O cenário indica uma mudança na distribuição da produção brasileira, com maior participação do processamento industrial e dos produtos derivados no abastecimento interno e no comércio exterior.
Biodiesel impulsiona a demanda por óleo de soja
A expectativa de aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel também aparece entre os fatores que podem sustentar o crescimento do processamento. A previsão considerada pela Abiove contempla a elevação da mistura para B16, ou seja, 16% de biodiesel, prevista para março de 2027.
Como o óleo de soja é uma das principais matérias-primas utilizadas na fabricação do biocombustível no Brasil, o aumento da mistura pode ampliar a demanda pelo produto e estimular a atividade industrial.
A expansão do esmagamento também favorece a oferta de farelo, ingrediente importante para a produção de rações destinadas à avicultura, suinocultura e pecuária. Dessa forma, o desempenho da indústria de soja influencia diferentes cadeias do agronegócio, tanto na produção de alimentos quanto no setor energético.
As projeções da Abiove apontam para a continuidade do crescimento do processamento brasileiro em 2027, mesmo com uma expectativa de leve redução nos embarques de soja em grão. O comportamento da demanda doméstica, especialmente por óleo destinado ao biodiesel, deverá ser um dos fatores determinantes para o balanço do complexo soja no próximo ano.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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