O setor busca a reinclusão do Brasil na lista de fornecedores habilitados e, em seguida, pretende negociar um período de transição para as novas exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou nesta quinta-feira que não espera uma solução ainda neste ano para a suspensão das exportações brasileiras de carne bovina à União Europeia (UE), mas estimou que o fluxo comercial possa ser retomado no 1º semestre de 2027. Antes disso, o setor busca a reinclusão do Brasil na lista de fornecedores habilitados e, em seguida, pretende negociar um período de transição para as novas exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos.
“Eu, pessoalmente, acho que ainda vai demorar. Nós não vamos conseguir resolver isso até o final do ano”, disse Perosa durante encontro na sede da Abiec, em São Paulo. “Ao mesmo tempo que estou pessimista com relação a esse ano, acho que é um assunto para se resolver no 1º semestre do ano que vem”, acrescentou.
As restrições entraram em vigor em 3 de setembro, quando passaram a valer na UE novas regras para importações de animais e produtos de origem animal relacionadas ao uso de antimicrobianos, previstas no Regulamento de Execução (UE) 2026/1189. Para permanecer apto a exportar, o país fornecedor precisa apresentar garantias de cumprimento das exigências europeias. O Brasil foi o único citado nominalmente no regulamento por não ter fornecido, dentro do prazo, informações que garantissem a adequação às novas regras, enquanto outros 92 países ou regiões foram habilitados com base nas comprovações apresentadas.
No caso da carne bovina, a discussão é mais complexa porque a UE exige garantias relacionadas ao uso de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida do animal. A missão europeia realizada recentemente no Brasil avaliou as cadeias de aves e mel, mas não a bovina. Em junho, o governo brasileiro apresentou à UE uma proposta de transição para o setor bovino, que previa comprovar a ausência dos produtos proibidos apenas nos nove meses finais de vida do animal, com certificação plena do rebanho implementada de forma gradual até 2029. A alternativa não foi aceita pelas autoridades europeias.
Segundo Perosa, indústria, pecuaristas e certificadoras desenvolveram um novo protocolo para atender às exigências, posteriormente apresentado ao Ministério da Agricultura. As indústrias envolvidas já aderiram ao sistema, enquanto a Abiec e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) trabalham para ampliar a participação dos produtores rurais. “Ainda temos poucos pecuaristas que fizeram a adesão a esse protocolo”, afirmou.
O presidente da Abiec disse que o setor sugeriu ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que propriedades brasileiras sejam visitadas para verificação dos procedimentos adotados. Segundo ele, ainda não houve uma missão europeia conclusiva para avaliar especificamente o sistema aplicado à bovinocultura.
A estratégia da indústria é dividir a negociação em duas etapas. A primeira é conseguir que o Brasil volte à lista de países habilitados. Depois, a Abiec quer que o governo negocie com as autoridades europeias uma transição que permita a retomada das vendas antes da conclusão de um ciclo completo de produção bovina.
“O que a gente quer é que, a partir do momento que a autoridade europeia diga ok, estamos de acordo, confiamos na verificação do Ministério da Agricultura, a gente tenha um período de transição e possa voltar a ter o fluxo comercial”, afirmou Perosa. Pelas regras atualmente consideradas pela UE, disse, a adequação integral poderia levar cerca de dois anos, em razão do ciclo de produção dos bovinos.
A Abiec já discute internamente uma nova proposta para esse período de transição, mas Perosa evitou detalhar se ela repete ou altera os termos da que foi rejeitada em junho. Segundo ele, a sugestão ainda está sendo tratada com o Mapa e não foi formalmente apresentada às autoridades europeias. “Nós temos uma sugestão, mas não quero antecipar, porque senão atrapalha a negociação”, disse.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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