Alterações determinadas a partir de orientações do Ministério da Agricultura atingem principalmente os comunicados de cobrição e modernizam o Serviço de Registro Genealógico; certificados digitais, novas senhas e maior controle do associado também fazem parte da atualização.
Criadores e proprietários de cavalos Mangalarga Marchador precisam ficar atentos a uma mudança importante na rotina de registro dos animais. A Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) atualizou o regulamento e o sistema do Serviço de Registro Genealógico (SRG), estabelecendo novas responsabilidades para os comunicados de cobrição e ampliando a digitalização de documentos utilizados pelos associados.
As novas disposições estão em vigor desde 6 de outubro de 2026 e foram implantadas pela Associação em atendimento às orientações do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Na prática, a mudança que mais interfere na rotina dos criatórios está na definição de quem pode informar uma cobertura ao sistema: esse procedimento passa a ficar diretamente vinculado ao proprietário da matriz ou da doadora.
A atualização vai além de uma alteração burocrática. Ao aproximar a responsabilidade pelo lançamento das informações de quem detém a propriedade do animal, o novo modelo reforça rastreabilidade, responsabilidade documental e segurança dos dados que formam a genealogia oficial da raça.
Cobrição passa a ser comunicada pelo proprietário da égua
A principal mudança está nos comunicados de cobrição.
Pelas novas regras, tanto nos casos de monta natural como nos procedimentos envolvendo transferência de embrião, a comunicação deverá ser realizada exclusivamente pelo proprietário da matriz ou da doadora.
Isso significa que criatórios que mantêm rotinas administrativas delegadas a funcionários, assessores, veterinários ou outros prestadores de serviço precisam observar com mais atenção quem efetivamente está autorizado a realizar o procedimento dentro do sistema.
Nos animais pertencentes a condomínios, existe uma particularidade: qualquer condômino poderá comunicar a cobertura de suas éguas, desde que haja o aceite do condomínio.
A medida aumenta o vínculo entre o ato declarado ao SRG e o responsável legal pelo animal, algo especialmente relevante em uma raça na qual reprodução, comercialização de genética, transferência de embriões e formação de plantéis podem envolver animais de elevado valor econômico.
Comunicação de nascimento continua podendo ser feita por terceiros
A alteração não significa que todos os procedimentos do SRG tenham passado obrigatoriamente para as mãos do proprietário.
No caso dos comunicados de nascimento, a ABCCMM manteve a possibilidade de realização por terceiros. O procedimento, porém, depende do aceite do proprietário da matriz ou da doadora.
A diferença é importante para grandes criatórios ou propriedades que concentram a parte administrativa do plantel em equipes especializadas.
Assim, enquanto a comunicação da cobrição passa a ter uma restrição maior quanto à origem da informação, o nascimento mantém uma estrutura que permite apoio operacional de terceiros, preservando a validação do proprietário.
Por que a mudança no registro genealógico importa
O Serviço de Registro Genealógico não deve ser visto apenas como a emissão de um documento do cavalo. Ele é parte da estrutura que sustenta a identidade, origem e rastreabilidade genética dos animais de uma raça.
O próprio regulamento do Mangalarga Marchador estabelece entre as finalidades do serviço preservar os conceitos de pureza racial, incentivar o aperfeiçoamento dos padrões zootécnicos e assegurar a identidade dos animais inscritos e a autenticidade dos documentos.
No Brasil, as associações responsáveis por serviços oficiais de registro genealógico atuam mediante autorização do MAPA. O Ministério estabelece regras para organização, funcionamento, execução e fiscalização desses serviços e determina que alterações nos regulamentos sejam submetidas à estrutura oficial de controle.
Por isso, informações como cobrição, nascimento, maternidade, paternidade e identificação do animal formam uma cadeia documental que acompanha o indivíduo ao longo de sua vida.
Para uma raça com forte mercado de genética, leilões, competições e reprodução assistida, falhas nesse fluxo podem gerar consequências que vão muito além de um simples problema administrativo.
Certificados do Mangalarga Marchador agora podem ser baixados em PDF
Outra mudança importante está na digitalização dos documentos.
Os certificados de registro provisório e definitivo, anteriormente disponibilizados exclusivamente em formato físico, passaram a ser oferecidos também em PDF, com possibilidade de download pelo próprio sistema da ABCCMM.
Associados em situação regular com a entidade podem acessar os documentos diretamente na tela de plantel.
A medida simplifica uma tarefa recorrente nos criatórios: consultar e armazenar a documentação dos animais.
Em propriedades com dezenas ou centenas de exemplares, a possibilidade de manter certificados digitalizados facilita organização, envio de informações e recuperação de documentos, além de reduzir a dependência do arquivo físico.
A ABCCMM relaciona a iniciativa também à sustentabilidade, pela redução da necessidade de impressão e do consumo de papel.
Certificados também ganham alterações visuais
A modernização não ficou limitada ao formato do arquivo.
A Associação informou que foram atualizados os selos utilizados nos registros provisório, definitivo e nos livros de elite.
Outra mudança visual ocorre na imagem de resenha: a ferradura será apresentada somente nos documentos de animais com registro definitivo.
Embora pareça um detalhe gráfico, a diferenciação contribui para que o usuário identifique com mais facilidade a situação documental do animal ao consultar o certificado.
Recibos de pagamento passam a ficar disponíveis no sistema
A atualização também busca reduzir tarefas administrativas fora da plataforma.
Os recibos de pagamento podem agora ser obtidos diretamente no sistema da ABCCMM, por meio do menu de consulta da situação financeira.
Para haras e criatórios que realizam grande número de procedimentos ao longo do ano, a funcionalidade pode facilitar a conciliação dos pagamentos, o controle interno e a prestação de contas.
A mudança faz parte de um movimento mais amplo de concentrar documentos e operações dentro do próprio ambiente digital utilizado pelo associado.
Todos os usuários terão de criar uma nova senha
Um dos pontos que exige atenção imediata dos associados está relacionado à segurança de acesso ao SRG.
Todos os usuários deverão atualizar suas senhas. Segundo a ABCCMM, haverá prazo de até 30 dias a partir do primeiro acesso após a atualização do sistema para que a alteração seja realizada.
A nova senha deverá reunir:
- letras maiúsculas;
- letras minúsculas;
- números;
- caracteres especiais.
Além disso, depois de cinco tentativas de acesso, será necessário realizar a liberação por e-mail.
A mudança reforça a proteção de um ambiente que concentra dados relevantes sobre propriedade, genealogia e movimentação administrativa dos animais.
Quanto maior a digitalização do SRG, maior também se torna a necessidade de proteger as credenciais utilizadas para realizar operações que têm reflexos documentais sobre o plantel.
Associado terá maior controle sobre seus dados de contato
Outra novidade está relacionada à privacidade.
Nas atualizações periódicas de cadastro, o próprio associado poderá escolher quais contatos deseja compartilhar.
O ajuste aumenta a autonomia do usuário sobre suas informações pessoais e acompanha uma tendência de maior controle sobre os dados mantidos em plataformas digitais.
O que muda na prática para criadores e haras
Para quem trabalha diariamente com criação de Mangalarga Marchador, o impacto mais imediato está na organização da rotina reprodutiva.
A comunicação de uma cobertura não deve ser tratada apenas como uma formalidade realizada posteriormente pelo escritório. Com a nova regra, é importante alinhar previamente proprietário, responsável pelo manejo reprodutivo e setor administrativo do criatório, principalmente em propriedades que utilizam transferência de embriões ou mantêm grande número de matrizes.
Também ganha importância a conferência das titularidades cadastradas. Em operações envolvendo compra recente de animais, condomínios ou mudanças de propriedade ainda em processamento, a regularidade das informações no sistema pode ser determinante para evitar obstáculos na comunicação dos procedimentos.
No ambiente da reprodução equina moderna, em que um mesmo garanhão pode participar de diferentes projetos reprodutivos e matrizes de destaque podem gerar produtos por transferência de embriões, qualidade do dado genealógico é patrimônio econômico do criatório.
Não se trata apenas de saber quem é pai ou mãe de determinado animal. A genealogia está diretamente relacionada à seleção, valorização de famílias, planejamento de acasalamentos e confiança na comercialização de genética.
Digitalização reduz papel, mas aumenta responsabilidade sobre os dados
A atualização do SRG mostra outro movimento que já alcança diversas áreas do agronegócio: a transferência de processos que historicamente dependiam de documentos físicos para plataformas digitais.
Certificados em PDF, recibos eletrônicos e maior autonomia do associado podem reduzir etapas e tornar a gestão mais rápida. Em contrapartida, o próprio usuário passa a assumir uma parcela maior da responsabilidade pela segurança da conta e pela precisão das informações inseridas.
Nesse cenário, uma senha segura, o controle de quem possui acesso ao sistema e a conferência das informações antes do envio tornam-se parte da gestão do criatório.
Registro genealógico sustenta seleção e valorização da raça
A ABCCMM é a entidade autorizada a executar oficialmente o Serviço de Registro Genealógico do Cavalo Mangalarga Marchador no País. O modelo segue a legislação brasileira que disciplina os registros genealógicos de animais domésticos e estabelece a supervisão do MAPA sobre as entidades responsáveis por esse trabalho.
Esse arranjo ajuda a explicar por que alterações aparentemente administrativas merecem atenção do setor.
O registro é uma das bases da seleção animal. É por meio dele que gerações podem ser conectadas, linhagens acompanhadas e informações utilizadas em decisões de acasalamento e melhoramento.
No mercado do Mangalarga Marchador, isso ganha peso adicional. A credibilidade de uma genealogia influencia planejamento genético, reprodução, negociações e a própria construção de valor dos animais ao longo das gerações.
Com as novas regras, a ABCCMM combina maior controle sobre etapas sensíveis do registro com a digitalização do relacionamento com seus associados. Para criadores e proprietários, o recado é claro: além de conhecer as mudanças, será necessário ajustar os procedimentos internos dos haras para que comunicação reprodutiva, documentação e acesso ao SRG estejam alinhados ao novo regulamento.
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