Nacional do Mangalarga acontece de 4 a 12 de julho, no Centro Hípico de Tatuí (SP), reunindo os principais criadores do país, provas esportivas, julgamentos e novidades que reforçam a versatilidade da raça
A cidade de Tatuí, no interior de São Paulo, voltou a ser o centro das atenções da equinocultura nacional com a realização da 48ª Expo Nacional do Cavalo Mangalarga, promovida no Centro Hípico de Tatuí entre os dias 4 e 12 de julho. Considerada a principal vitrine da raça no Brasil, a exposição reúne criadores, expositores, treinadores e apaixonados pelo Mangalarga. A convite da associação, Marcio Peruchi, editor do Compre Rural, acompanhou os primeiros dias da Nacional, trazendo uma cobertura especial diretamente do recinto, incluindo entrevistas exclusivas com lideranças da raça e os principais destaques da programação.
Durante nove dias, centenas de animais oriundos dos principais haras do país disputam títulos nacionais nas pistas de julgamento, provas funcionais e modalidades esportivas, em um ambiente que também movimenta negócios, promove a genética da raça e aproxima novos criadores do universo do Mangalarga.

Mais do que uma competição, a Nacional representa o principal momento de encontro entre selecionadores, técnicos e investidores, reforçando o protagonismo da raça na equinocultura brasileira.
A programação da Nacional do Mangalarga contempla atividades ao longo de toda a semana, reunindo desde as tradicionais avaliações zootécnicas até competições esportivas que evidenciam a versatilidade do Mangalarga.
Entre os destaques estão:
- julgamentos de morfologia e andamento;
- campeonatos de marcha;
- provas funcionais;
- disputas de Ranch Sorting;
- apresentação de muares;
- provas sociais;
- apresentações especiais sobre a história da raça;
- leilões de genética;
- atividades voltadas à integração entre criadores, expositores e novos investidores.

A expectativa da organização é receber visitantes de diversas regiões do Brasil, consolidando mais uma vez Tatuí como palco da maior celebração do Cavalo Mangalarga.
Segundo o gerente de Marketing da ABCCRM – Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga, Ricardo Braga, a associação vive um momento histórico, aproximando-se do centenário de sua fundação e também da realização da 50ª Exposição Nacional.
“Estamos muito próximos desse marco. Cada ano que passa, a expectativa aumenta. É um grande desafio porque a qualidade dos animais vem se superando cada vez mais. Os haras estão cada vez mais profissionalizados e, ao mesmo tempo, a gente precisa entregar um evento à altura desse crescimento”, afirmou.
Para Braga, o avanço da seleção genética elevou o nível técnico da exposição e aumentou a responsabilidade da entidade em promover um evento capaz de representar a evolução da raça.
Raça que ajudou a construir a equinocultura brasileira
Durante a entrevista, Ricardo Braga também ressaltou o papel histórico desempenhado pelo Mangalarga na formação da equinocultura brasileira.
Segundo ele, a influência genética da raça vai muito além de seus próprios plantéis. “Quando a gente olha para a raça Mangalarga como um todo, ela é uma das principais raças de marcha do Brasil e serviu de base para diversas outras raças e composições. Isso traz uma responsabilidade muito grande para a associação. O melhoramento acontece ano após ano, e nosso cavalo continua evoluindo.”
Essa trajetória é lembrada durante a Nacional por meio de apresentações especiais que reforçam a contribuição do Mangalarga para o desenvolvimento de outras linhagens brasileiras.

Outro momento que chamou a atenção do público no evento foi a apresentação de muares oriundos de éguas da raça Mangalarga. A iniciativa evidenciou uma das contribuições históricas da raça para a equinocultura brasileira, já que as éguas Mangalarga são reconhecidas por transmitir conforto de sela, rusticidade, equilíbrio e docilidade aos animais resultantes do cruzamento com jumentos, características bastante valorizadas tanto no trabalho quanto nas cavalgadas.
Durante a entrevista ao Compre Rural, Ricardo Braga explicou que a presença desses animais na programação tem um significado especial. Segundo ele, o objetivo é mostrar ao público que o Mangalarga extrapola os limites da própria raça e exerce influência direta na formação de muares de alta qualidade. “Quando mostramos esses muares, estamos mostrando também a importância da nossa base genética. O Mangalarga ajudou a construir essa história e continua contribuindo para a produção de animais funcionais, confortáveis e extremamente versáteis“, destacou.
Entre as novidades da 48ª Expo Nacional, uma das que mais despertam a atenção é o fortalecimento do Ranch Sorting, modalidade esportiva que cresce rapidamente no país e passa a ocupar espaço cada vez maior dentro do calendário oficial da raça.

Ricardo Braga explica que o esporte reúne características que combinam perfeitamente com o perfil do Mangalarga. “O Ranch Sorting é o esporte do momento. Ele exige velocidade, mas também inteligência, temperamento e habilidade para trabalhar com o gado. O Mangalarga reúne todas essas qualidades e vem mostrando resultados muito positivos.”

Segundo ele, a associação vem incentivando a modalidade por meio de um circuito próprio de competições e premiações. A etapa disputada durante a Expo Nacional integra esse calendário e será seguida por novas provas ao longo do ano, culminando na grande final da temporada.
Questionado sobre o que diferencia o Mangalarga para quem pretende iniciar na criação ou procura um cavalo para a propriedade rural, Ricardo Braga resumiu a resposta em um convite. “Conheça, experimente e se apaixone.” – destacou o executivo.
Segundo ele, a principal característica da raça é sua versatilidade. “É um cavalo dócil, confortável, inteligente, macio e extremamente versátil. Serve para a lida diária, para cavalgadas, para colocar o neto, para a esposa montar. É um cavalo de família.”
Além da aptidão esportiva, Braga destaca que o Mangalarga também se adapta perfeitamente ao trabalho nas fazendas, às cavalgadas, ao turismo rural e ao lazer, características que explicam o crescimento da raça em diferentes regiões do país.

Uma vitrine para a genética brasileira
A Nacional do Mangalarga também movimenta o mercado da equinocultura. Além da disputa pelos principais títulos da raça, o evento serve como vitrine para reprodutores, matrizes e jovens promessas, impulsionando negócios entre criadores de diferentes estados.
Com a presença dos principais haras do país, a Nacional permite que investidores e novos criadores acompanhem de perto a evolução genética do Mangalarga e conheçam animais que representam o que há de mais avançado na seleção da raça.

Ao reunir tradição, esporte, melhoramento genético e oportunidades comerciais, a Nacional do Mangalarga reafirma o protagonismo do Mangalarga na equinocultura brasileira e reforça o caminho da raça rumo a dois marcos históricos: o centenário da associação e a realização da 50ª Exposição Nacional.
Enquanto esse futuro se aproxima, Tatuí recebe, mais uma vez, a principal vitrine do Cavalo Mangalarga, celebrando uma raça que continua evoluindo sem perder as características que a tornaram referência no campo: conforto, funcionalidade, docilidade e versatilidade.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.