20 municípios concentram 21% do milho produzido no Brasil; veja quem lidera o ranking

Levantamento do IBGE mostra a força de Mato Grosso na produção nacional: 17 dos 20 maiores municípios produtores estão no estado, enquanto Sorriso aparece isolado na liderança, com 3,66 milhões de toneladas

A produção brasileira de milho atingiu um nível de concentração que ajuda a explicar por que determinadas regiões do Centro-Oeste se tornaram estratégicas para o abastecimento de tradings, frigoríficos, fábricas de ração e, mais recentemente, usinas de etanol. Apenas 20 municípios responderam juntos por 30,2 milhões de toneladas do cereal, volume equivalente a aproximadamente 21% da produção nacional considerada no levantamento.

O dado ganha ainda mais força quando se observa o mapa dessa produção. Dos 20 municípios que mais produziram milho no Brasil em 2024, 17 estão em Mato Grosso, ou 85% do ranking. Goiás aparece com três representantes.

No topo está Sorriso (MT), com 3,66 milhões de toneladas, seguido por Nova Ubiratã (MT), com 2,412 milhões de toneladas, e Rio Verde (GO), com 2,249 milhões. Os números fazem parte da Produção Agrícola Municipal (PAM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente a 2024.

Onde estão os maiores produtores de milho do Brasil?

O ranking completo evidencia um corredor de produção extremamente forte em Mato Grosso. Além de Sorriso e Nova Ubiratã, aparecem municípios como Nova Mutum, Querência, Diamantino, Primavera do Leste, São Félix do Araguaia e Lucas do Rio Verde.

Confira os 20 maiores municípios produtores de milho do Brasil em 2024, conforme a tabela do levantamento:

PosiçãoMunicípioProdução
1ºSorriso (MT)3.660.000 t
2ºNova Ubiratã (MT)2.412.000 t
3ºRio Verde (GO)2.249.240 t
4ºNova Mutum (MT)2.117.900 t
5ºJataí (GO)1.896.700 t
6ºQuerência (MT)1.650.000 t
7ºDiamantino (MT)1.530.345 t
8ºPrimavera do Leste (MT)1.476.000 t
9ºSão Félix do Araguaia (MT)1.376.522 t
10ºTabaporã (MT)1.353.000 t
11ºPorto dos Gaúchos (MT)1.242.000 t
12ºMaracaju (MS)*1.155.000 t
13ºIpiranga do Norte (MT)1.152.600 t
14ºBrasnorte (MT)1.145.892 t
15ºLucas do Rio Verde (MT)1.088.100 t
16ºSinop (MT)1.054.920 t
17ºCampo Novo do Parecis (MT)994.866 t
18ºVera (MT)950.400 t
19ºTapurah (MT)870.750 t
20ºParanatinga (MT)846.880 t
Fonte: IBGE — Produção Agrícola Municipal (PAM) 2024, Tabela 1612. Ranking em ordem decrescente pela quantidade produzida.

Sorriso abre vantagem na liderança

O tamanho da produção de Sorriso chama atenção não apenas pela primeira posição. O município colheu 500 mil hectares de milho em 2024, alcançando 3,66 milhões de toneladas.

Nova Ubiratã aparece em seguida, com 335 mil hectares colhidos e 2,412 milhões de toneladas. Rio Verde completa o pódio com 334,3 mil hectares e pouco mais de 2,249 milhões de toneladas.

Outro dado expressivo é que 16 dos 20 municípios ultrapassaram a marca de 1 milhão de toneladas produzidas, enquanto os quatro seguintes ficaram relativamente próximos desse patamar.

Mais do que uma curiosidade estatística, o ranking revela onde está parte importante da engrenagem que sustenta a oferta brasileira de milho.

Milho avança com força no Brasil

A concentração entre os grandes polos não significa que o cereal esteja restrito a poucas regiões. O cenário é justamente o contrário.

Segundo os dados apresentados no levantamento, 5.036 municípios brasileiros produziram milho em 2024, correspondendo a 90,3% dos municípios do país. Como comparação, a soja estava presente em 47,3%.

Essa capilaridade está ligada às diferentes funções do milho dentro da agropecuária. Além de commodity de exportação, o grão é matéria-prima essencial para a fabricação de rações utilizadas na avicultura, suinocultura e pecuária, além de ganhar importância crescente como insumo industrial.

Nos grandes polos do Centro-Oeste, há ainda uma característica decisiva: o milho de segunda safra é fortemente integrado à produção de soja, permitindo ao produtor aproveitar a mesma estrutura agrícola em duas culturas comerciais dentro do mesmo ano.

Brasil caminha para outra produção histórica

O tamanho dessa estrutura produtiva também aparece nas projeções para a temporada atual.

As três safras brasileiras de milho do ciclo 2025/26 são estimadas em 142,9 milhões de toneladas, segundo o balanço da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) citado no material. Caso confirmado, o resultado representará novo recorde e ficará 1,3% acima da temporada anterior.

A área destinada ao cereal é estimada em 22,6 milhões de hectares, crescimento de 3,5%, enquanto a produtividade média projetada é de 6.326 quilos por hectare, aproximadamente 105,4 sacas.

O avanço ocorre em um momento no qual o milho ganhou novas rotas de demanda no país. Além da alimentação animal e das exportações, a expansão da indústria de etanol de milho no Centro-Oeste passou a disputar volumes cada vez maiores do cereal e aproximou unidades industriais dos grandes municípios produtores.

O que o ranking revela sobre o novo mapa do milho

O domínio de Mato Grosso entre os maiores produtores municipais está diretamente relacionado à escala das propriedades, ao sistema soja-milho e à expansão da infraestrutura de armazenagem e processamento no Centro-Oeste.

É justamente aí que o ranking deixa de ser apenas uma lista de cidades. A concentração da produção cria condições para atrair armazéns, tradings, fábricas de ração, confinamentos, granjas e indústrias de biocombustíveis, fortalecendo cadeias inteiras ao redor do cereal.

Ao mesmo tempo, aumenta a importância da logística. Produzir milhões de toneladas em regiões distantes dos principais portos exige capacidade de armazenagem, rodovias e ferrovias capazes de escoar uma safra cada vez maior.

Com 30,2 milhões de toneladas concentradas somente nos 20 municípios líderes, o mapa mostra que boa parte do futuro do milho brasileiro passa justamente por esses grandes polos agrícolas — e pela capacidade de transformar a enorme produção de grãos em alimento, proteína animal, energia e exportações.

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